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Programa de Afiliados da Shopee mudou: entenda o que aconteceu e o que fazer agora

Gestão e Tributação

Entenda as mudanças no Programa de Afiliados da Shopee em 2026, por que aconteceram e o que vendedores e afiliados PJ/PF precisam fazer agora.

Catálises11 de agosto de 20268 min de leitura

Programa de Afiliados da Shopee mudou: entenda o que aconteceu e o que fazer agora

Se você vende ou divulga produtos na Shopee, provavelmente já sentiu o impacto: comissões extras sendo desligadas, afiliados cobrando notas fiscais, vendedores pedindo RPA. Isso não é um bug nem uma decisão isolada da plataforma — é o resultado direto da Reforma Tributária brasileira chegando à prática, com um prazo de adaptação que terminou em 31 de julho de 2026.

Neste guia você vai entender o que mudou no Programa de Afiliados da Shopee, por que essas mudanças eram inevitáveis e, principalmente, o que fazer agora — seja você vendedor, afiliado pessoa jurídica (PJ) ou afiliado pessoa física (PF).

Como funcionava o Programa de Afiliados da Shopee antes

Até pouco tempo atrás, a Shopee acumulava dois papéis dentro da mesma operação:

  1. Marketplace: disponibilizava a plataforma para o vendedor anunciar seus produtos, cobrando taxas por isso.
  2. Contratante dos afiliados: calculava as comissões e os tributos decorrentes da divulgação feita pelos afiliados, e pagava esses afiliados em nome próprio.

Na prática, existia um terceiro relacionamento que ficava invisível: o do vendedor com o afiliado. Afinal, quem divulgava o produto era o afiliado, mas o produto — e o benefício econômico da venda — era do vendedor. A Shopee apenas intermediava esse elo sem deixá-lo explícito, retendo os impostos automaticamente e repassando o valor líquido ao afiliado.

Por que o Programa de Afiliados da Shopee mudou em 2026

O ponto central é simples de entender, mesmo que o motivo por trás dele seja técnico: as comissões extras nunca foram bancadas pela Shopee — elas sempre saíram do bolso do vendedor, que escolhe se quer ativar a comissão extra e qual percentual oferecer.

Em novembro de 2025, a Lei Complementar nº 214/2025, que regulamenta a Reforma Tributária do consumo (introduzindo o IBS e a CBS), reforçou a necessidade de identificar corretamente:

  • quem é o efetivo contratante do serviço de publicidade;
  • quem é o prestador desse serviço;
  • e o que, de fato, está sendo contratado.

O prazo de adaptação para o novo modelo de emissão de notas fiscais previsto nessa legislação terminou em 31 de julho de 2026. A Shopee ajustou sua operação justamente nesse contexto: parou de reter impostos automaticamente e passou a atuar apenas como intermediadora, repassando dados entre vendedor e afiliado e enviando o valor bruto da comissão extra diretamente para o afiliado.

Na prática, isso significa:

  • o afiliado divulgava (e continua divulgando) os produtos do vendedor;
  • quem se beneficia da divulgação é o vendedor;
  • mas antes, as responsabilidades fiscais ficavam concentradas na Shopee — agora cada parte responde pela sua própria obrigação.

O que muda para o vendedor no Programa de Afiliados da Shopee

O vendedor passa a lidar com duas rotinas bem distintas: uma para afiliados PJ e outra para afiliados PF.

Para afiliados PJ, o vendedor precisa:

  • solicitar e arquivar a nota fiscal de cada afiliado PJ que gerou vendas com comissão extra, independentemente do valor (mesmo que sejam poucos centavos);

Para afiliados PF, o vendedor precisa:

  • cadastrar o afiliado no eSocial como contribuinte individual;
  • gerar a folha de pagamento;
  • pagar o INSS devido;
  • gerar e enviar o RPA (Recibo de Pagamento a Autônomo) para cada afiliado que tenha feito vendas com comissão extra naquele mês.

O aumento de custo que ninguém esperava

Aqui está um detalhe que pega muitos vendedores de surpresa: a Shopee envia o valor bruto da comissão para o afiliado PF, sem descontar o INSS. Isso significa que é o vendedor quem precisa reter e recolher esse tributo — e, para isso, o custo real da comissão extra fica maior do que o percentual anunciado.

Exemplo prático: em um produto de R$ 39,90, uma comissão extra de 12% custaria, em teoria, R$ 4,79. Mas, como o INSS de 11% precisa ser calculado "por dentro" para que o afiliado receba o valor líquido correto, o custo real da comissão passa a ser equivalente a 13,3%, e não 12%.

Rotina mensal sugerida para vendedores

  1. Crie uma pasta "Shopee" no Drive da sua empresa, com uma subpasta para cada mês.
  2. Baixe, dentro do Portal do Vendedor (menu Afiliados do Vendedor > Relatórios > Relatório mensal), os dois relatórios disponíveis: um para documentos fiscais (afiliados PF) e outro para nota fiscal (afiliados PJ).
  3. Guarde nessa pasta mensal: os dois relatórios em CSV, as notas fiscais recebidas, os XMLs, os comprovantes de pagamento e os RPAs emitidos.
  4. Antes de solicitar qualquer nota fiscal a um afiliado PJ, confira o CNPJ dele — afiliados que atuam nesse programa não podem ser MEI, pois a atividade de divulgação/publicidade não é compatível com essa categoria (os CNAEs mais usados são 7319-0/02, 7319-0/99 e 7490-1/04).
  5. Cadastre cada afiliado PF no eSocial até o dia 15 do mês seguinte ao trabalho, feche a folha e emita a guia (DCTF Web / DARF) até o dia 20.
  6. Emita e envie os RPAs individualmente por e-mail.
  7. Arquive tudo por, no mínimo, 5 anos.

Qual caminho seguir como vendedor

Existem, basicamente, três direções possíveis:

  • Descontinuar a comissão extra: mais simples, mas com risco real de reduzir suas vendas via afiliados.
  • Manter apenas afiliados PJ: reduz a complexidade operacional (emissão de notas é mais simples de automatizar em lote via contabilidade), mas exclui afiliados PF que ainda gerem bom volume de vendas.
  • Manter afiliados PF e assumir o custo/complexidade extra: exige uma assessoria contábil ativa para dar conta do volume de cadastros, folhas e RPAs sem comprometer sua rotina — e sua saúde mental.

O que não é uma opção viável é ignorar as novas exigências. A automação da Receita Federal tende a identificar inconsistências entre o que foi pago e o que foi declarado, gerando multas e passivos tributários.

O que muda para o afiliado Pessoa Jurídica (PJ)

Para quem já atua como PJ, a mudança é mais operacional do que estrutural:

  1. Baixe o relatório mensal do Portal de Afiliados, que traz os dados de comissão por vendedor.
  2. Emita primeiro a nota fiscal da Shopee, com o valor bruto da Comissão Total Shopee + Comissão Bônus (quando houver) — atenção: esse valor não é mais o total de todas as comissões do mês, é só a parte referente à Shopee. Essa nota tem prazo até o dia 5 do mês e, enquanto não for enviada, a Shopee não libera o pagamento.
  3. Emita, em seguida, uma nota fiscal individual para cada vendedor com quem trabalhou naquele mês, independentemente do valor da comissão, e envie por e-mail — nunca em um único disparo com todos os destinatários, já que são dados sensíveis de cada vendedor.
  4. Arquive tudo por 5 anos.

Um ponto de atenção importante: ser PJ não é o mesmo que ser MEI "com CNPJ maior". A empresa precisa se manter regular do ponto de vista fiscal, tributário e contábil, conforme o regime tributário e a natureza jurídica escolhidos — o que reforça, mais uma vez, a importância de ter uma assessoria contábil ativa, especialmente com a Reforma Tributária avançando.

O que muda para o afiliado Pessoa Física (PF)

Se você é afiliado PF, o fluxo passa a ser:

  1. No Portal de Afiliados, acesse Relatório > Relatório mensal para consultar suas comissões do período.
  2. Em Pagamento > Histórico de Pagamento, baixe o RPA que a própria Shopee emite referente à comissão padrão dela (geralmente entre 1,5% e 3%) e guarde esse documento.
  3. Envie um e-mail formal para cada vendedor com quem trabalhou, solicitando o RPA referente à comissão extra recebida — evite pedir apenas pelo chat da Shopee; o e-mail é mais fácil de comprovar se for necessário.
  4. Arquive todos os RPAs por, no mínimo, 5 anos e acompanhe mês a mês seus ganhos para planejar seu Imposto de Renda.

Vale a pena virar PJ?

Se a comissão da Shopee já é uma renda relevante — na casa dos R$ 5.000 por mês ou mais —, vale avaliar com um contador a abertura de uma empresa. Os motivos:

  • a tendência natural do mercado é que vendedores priorizem afiliados PJ, já que a operação é mais simples do lado deles;
  • isso pode reduzir bastante a disposição dos vendedores em manter comissões extras para PF (de patamares como 15% para algo próximo de 3%);
  • como PF, pagar mais imposto do que o necessário deixa de fazer sentido a partir de um certo volume de faturamento.

Resumo: o que fazer em cada perfil

PerfilAção imediata
VendedorOrganizar pasta mensal, conferir CNPJ dos afiliados PJ, cadastrar afiliados PF no eSocial e contratar assessoria contábil
Afiliado PJEmitir nota fiscal da Shopee até o dia 5, emitir notas individuais para cada vendedor e manter o CNAE compatível (nunca MEI)
Afiliado PFBaixar o RPA da Shopee, solicitar formalmente o RPA de cada vendedor e avaliar a profissionalização (abrir CNPJ) se o faturamento for relevante

Perguntas frequentes sobre as mudanças no Programa de Afiliados da Shopee

Por que a Shopee mudou o Programa de Afiliados em 2026?

Porque a Lei Complementar nº 214/2025, que regulamenta a Reforma Tributária, exige identificar corretamente quem contrata, quem presta o serviço e quem se beneficia economicamente dele. O prazo de adaptação previsto em lei terminou em 31 de julho de 2026.

Quem paga a comissão extra dos afiliados na Shopee: a plataforma ou o vendedor?

A comissão extra sempre foi bancada pelo vendedor, que decide se quer ativá-la e qual percentual oferecer. A Shopee apenas intermediava esse pagamento — e agora deixou isso explícito.

O afiliado PJ da Shopee pode ser MEI?

Não. A atividade de divulgação/publicidade de produtos exercida pelo afiliado não é compatível com as restrições da categoria MEI.

O que é o RPA e quem precisa emiti-lo?

RPA é o Recibo de Pagamento a Autônomo, documento que formaliza o pagamento a um prestador de serviço sem CNPJ. No caso de afiliados PF, é o vendedor quem deve emitir e enviar o RPA referente à comissão extra paga.

Por quanto tempo é preciso guardar notas fiscais e RPAs relacionados ao Programa de Afiliados?

O recomendado é arquivar toda a documentação — relatórios, notas fiscais, RPAs e comprovantes — por, no mínimo, 5 anos.

Vendedores e afiliados precisam de assessoria contábil para lidar com essas mudanças?

Na prática, sim, especialmente para quem trabalha com volume relevante de afiliados PF (cadastro no eSocial, folha de pagamento e guias de INSS) ou de notas fiscais para afiliados PJ. Automatizar esses processos com uma contabilidade digital especializada reduz o risco de erros e multas.


Este conteúdo foi preparado pela Catálises, que apoia micro e pequenos empreendedores brasileiros com educação de negócios, ferramentas de dados e organização financeira. Dúvidas sobre o tema podem ser enviadas para caroline@catalises.com.br.